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Centenário
da imigração japonesa
Depoimento
de um bisneto do Presidente
Affonso Penna
Autor: Engº Affonso Augusto Moreira Penna
Neste ano comemora-se
o centenário da imigração
japonesa no Brasil. Foi no governo do Presidente Affonso Penna
(15/11/1906 a 14/06/1909)
que ocorreu, em junho de 1908, a chegada do navio
Kasato Maru no porto de Santos. Ele,
que tanto incentivou tal fato, não poderia supor que um dos seus
bisnetos teria
relacionamento intenso, em diversos campos de atuação,
com japoneses e seus descendentes.
Em 1949, com 13 anos
de idade, eu era nadador do
Fluminense F.C. / Rio de Janeiro. Naquela ocasião vieram ao
Brasil os nadadores
japoneses chamados de “peixes voadores”, pois haviam ganhado
várias provas nas
Olimpíadas de 1948. Entre outras, fizeram
exibições na piscina do Fluminense.
Nosso técnico, o saudoso Hélio Lobo, pediu-nos para
sentarmos na borda da
piscina e observarmos a forma que os japoneses usavam para a “puxada”
subaquática
dos braços e mãos. Fui um dos que bem observaram e
consegui melhorar, em 3 seg,
meu tempo nos 100 m
“crawl”.
Em 1951, na piscina do Fluminense, o
excelente nadador
de Marília/SP, o nissei Tetsuo Okamoto batia o recorde
sul-americano dos 400
m “crawl”. No mesmo dia,
calcado nos ensinamentos dos “peixes voadores”, eu integrei um
revezamento
4x100 m “crawl” que bateu o recorde carioca da nossa categoria.
Na segunda metade da
década de 1970 e início da de
1980, ocupei os cargos de Diretor Comercial e Presidente da
FEM-Fábrica de
Estruturas Metálicas S.A., subsidiária da CSN – Companhia
Siderúrgica Nacional.
As principais usinas siderúrgicas brasileiras encetavam seus
planos de
expansão. Fui procurado, em Volta Redonda, pela “trading”
japonesa Mitsui, para
estudarmos um consórcio com a fabricante Tsubakimoto Chain Co.,
visando nossa
participação em licitações para o
fornecimento de transportadores de bobinas de
aço. Juntos, galgamos o primeiro degrau que foi obter o
enquadramento do nosso
consórcio no BNDES. A seguir, fomos contemplados com encomendas
da CSN, da
USIMINAS e da COSIPA. Entre outros fatos, relato um episódio que
ilustra o
respeito dos japoneses à hierarquia empresarial e aos mais
velhos. Éramos 5
pessoas numa mesa de reunião, no escritório da FEM no Rio
de Janeiro: um
gerente senior e um engenheiro junior da
Tsubakimoto; um engenheiro junior e eu pela FEM; um representante da
Mitsui. O
engenheiro junior japonês começou a fumar, uma vez que,
naquela época, as
restrições não eram tantas como hoje. A
fumaça que exalava do seu cigarro veio
na minha direção e, instintivamente, a abanei.
Imediatamente o gerente senior
da Tsubakimoto franziu o cenho mostrando seu descontentamento ao
engenheiro
junior. Este se ruborizou intensamente e apagou nervosamente o cigarro.
Durante
os vários trabalhos que o consórcio FEM-Tsubakimoto
realizou, pude constatar a
correção da empresa japonesa, bem como a
competência de todos os que ela
designou para os serviços no Brasil.
Mais
recentemente, nos anos 2000, em minha
empresa de
comércio exterior, tive uma estagiária sansei cuja
assiduidade, dedicação e
eficácia, pude apreciar.
Concluo,
dizendo que meu
bisavô – o Presidente Affonso
Penna – acertou em cheio ao incentivar a imigração
japonesa no Brasil.
Para
reproduzir esse texto, ou trecho dele, é obrigatória
a citação do nome do autor e do site:
Autor:
Engenheiro Affonso Augusto Moreira
Penna/www.imigracaojaponesa.com.br
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