
{"id":215,"date":"2012-08-31T16:09:41","date_gmt":"2012-08-31T19:09:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/imigracaojaponesa2012\/?page_id=215"},"modified":"2012-08-31T16:22:45","modified_gmt":"2012-08-31T19:22:45","slug":"tetsuo-okamoto","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/entrevistas\/tetsuo-okamoto\/","title":{"rendered":"Tetsuo Okamoto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tetsuo Okamoto \u00e9 um nome muito conhecido, principalmente por aqueles com mais de 60 anos de idade.\u00a0\u00a0Ele foi o primeiro brasileiro a trazer uma medalha ol\u00edmpica de nata\u00e7\u00e3o para o Brasil. A fa\u00e7anha aconteceu em Helsinque, na Finl\u00e2ndia, em 1952.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista, Okamoto, hoje com 72 anos de idade, relembra aqueles fatos que marcaram a sua \u00e9poca e comenta o significado daquela conquista para o Brasil e para os japoneses aqui radicados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como come\u00e7ou a praticar nata\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era asm\u00e1tico e comecei a nadar por que algu\u00e9m disse que isso faria bem. N\u00f3s mor\u00e1vamos em Mar\u00edlia, na \u00e9poca uma cidade distante, de onde a simples ida a S\u00e3o Paulo levava at\u00e9 12 horas de trem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia surgiu um ex-nadador, que pretendia formar uma equipe de nata\u00e7\u00e3oem Mar\u00edlia. Eutinha uns 15 anos e passei a treinar com esse grupo num bom clube, deixando de lado aquela piscina sem azulejos onde eu havia iniciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como come\u00e7ou a competir?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca era muito dif\u00edcil e caro viajar. E sab\u00edamos que, se f\u00f4ssemos competitivos, poder\u00edamos viajar e conhecer v\u00e1rios lugares. Come\u00e7amos treinando para ganhar viagens e fomos crescendo. Assim, participei do campeonato paulista e do brasileiro, al\u00e9m dos regionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nad\u00e1vamos de1000 a1500 metrospor dia. O t\u00e9cnico tinha medo de for\u00e7ar muito, pois \u00e9ramos todos franzinos, tanto \u00e9 que o meu apelido era Tachinha, porque tinha uma cabe\u00e7a grande e o corpo magrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aconteceu para um garoto franzino poder ir para uma Olimp\u00edada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1949, quatro nadadores japoneses vieram ao Brasil. Eles ficam not\u00e1veis em sua \u00e9poca, pois passaram pelos Estados Unidos e derrotaram todos os americanos. Apelidados de \u201cFlying Fish\u201d, ou peixes voadores, aqueles japoneses ganharam at\u00e9 mat\u00e9ria na revista Time, e representavam o fato mais excepcional do esporte mundial. No Brasil ficaram dois meses fazendo exibi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias cidades. N\u00f3s os atletas brasileiros acompanhamos o grupo \u201cde reboque\u201d, nos deliciando da calorosa recep\u00e7\u00e3o que eles tiveram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a\u00ed que os japoneses recomendaram que n\u00f3s nad\u00e1ssemos10 kmpor dia para treinar. Eu fui o \u00fanico doido que decidiu treinar duro para ser campe\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram os resultados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu bati o recorde pan-americano, e nos Jogos Pan-Americanos de 1951 ganhei tr\u00eas medalhas: Ouro nos 400 e1.500 mnado livre, e prata no revezamento 4&#215;200. Na \u00e9poca n\u00e3o havia tantas categorias como hoje. As provas eram somente de 100, 400 e1.500 metros. Foi um feito not\u00e1vel. No dia que voltei para Mar\u00edlia, a preeitura havia decretado feriado, montaram at\u00e9 palanque e fizeram uma grande recep\u00e7\u00e3o. Ganhei manchete nacional, numa \u00e9poca em que o esporte brasileiro estava em baixa, principalmente por causa da derrota do futebol na Copa do Mundo realizado no Brasil em 1950. Voltei como her\u00f3i. O Brasil conquistou ao todo cinco medalhas de ouro e eu participei com duas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas olimp\u00edadas como foi o confronto com os \u00eddolos japoneses?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos quatro que estiveram no Brasil, tr\u00eas disputaram comigoem Helsinque. Ostreinamentos deram certo e eu ganhei a medalha de bronze nos1.500 m, atr\u00e1s do japon\u00eas Shiro Hashizume. Em primeiro lugar ficou outro descendente de japoneses, o americano Ford Konno. O p\u00f3dio ocupado s\u00f3 por \u201cjaponeses\u201d chamou muita aten\u00e7\u00e3o na \u00e9poca. Fui para o Jap\u00e3o em 77 e eles ainda se lembravam disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltei para Mar\u00edlia e houve festa de novo e mais um feriado. Naquele ano, o Brasil ganhou s\u00f3 mais duas medalhas ol\u00edmpicas. Ademar Ferreira da Silva ganhou ouro no salto triplo e Jos\u00e9 Teles da Concei\u00e7\u00e3o teve bronze no salto em altura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi a repercuss\u00e3o na comunidade nipo-brasileira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jap\u00e3o tinha sido derrotado, muitos japoneses do Brasil tinham sido humilhados durante a guerra, e viviam na ro\u00e7a em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Acredito que o fato de ver algu\u00e9m se destacando ajudou a motiv\u00e1-los. O significado daquela medalha foi como se fosse uma conquista da coletividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aconteceu depois?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mudamos para S\u00e3o Paulo no mesmo ano e meu pai parou de patrocinar. Daquele momento em diante deveria trabalhar e estudar se quisesse ter uma vida tranq\u00fcila pela frente. Na \u00e9poca, o esporte era puramente amador e nem pod\u00edamos ter qualquer remunera\u00e7\u00e3o ligada ao esporte. Trabalhando e estudando, n\u00e3o tinha tempo para treinar. Um atleta peruano que estudava nos Estados Unidos me deu a dica e consegui uma bolsa na Agricultural Mechanical College of Texas \u2013 uma escola militar americana. Sendo o principal atleta da equipe de nata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sofri preconceito algum na universidade, mas os negros e latinos em geral n\u00e3o podiam estudar no mesmo campus dos brancos. Havia banheiros e bebedouros separados para os brancos e os negros na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u00e9poca era outra&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, o mais engra\u00e7ado \u00e9 que naquela cidade que eu estava, os banheiros eram separados para brancos e negros. E eu entrava com os brancos. Mas quando fui para a Calif\u00f3rnia, os banheiros eram para brancos e \u201ccoloridos\u201d. O \u201ccolorido\u201d no caso inclu\u00eda todos menos os brancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar do Nippon<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realmente \u00e9 um clube 100% organizado com diversas op\u00e7\u00f5es de lazer e conviv\u00eancia social. \u00c9 um clube que deve ser preservado e apoiado. Acho que os clubes de outras etnias n\u00e3o chegaram a esse porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A nata\u00e7\u00e3o do Nippon pode preparar competidores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma estrutura para nata\u00e7\u00e3o \u00e9 cara, precisa haver subs\u00eddios para se manter uma equipe competitiva. Acho dif\u00edcil um clube de lazer como o Nippon formar equipes para competir. D\u00e1 para manter o atleta at\u00e9 um certo est\u00e1gio, mas depois eles ter\u00e3o que treinar fora, mais perto de sua casa, por causa da dist\u00e2ncia e o tempo que a locomo\u00e7\u00e3o toma do atleta. Outro problema \u00e9 que as equipes mais competitivas acabar\u00e3o levando os melhores atletas que despontarem no clube. Alguns, inclusive, poder\u00e3o ser convidados pelos clubes do exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicado na Revista Nippon n\u00ba29.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tetsuo Okamoto \u00e9 um nome muito conhecido, principalmente por aqueles com mais de 60 anos de idade.\u00a0\u00a0Ele foi o primeiro brasileiro a trazer uma medalha ol\u00edmpica de nata\u00e7\u00e3o para o Brasil. A fa\u00e7anha aconteceu em Helsinque, na Finl\u00e2ndia, em 1952. 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