
{"id":239,"date":"2012-08-31T18:00:41","date_gmt":"2012-08-31T21:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/imigracaojaponesa2012\/?page_id=239"},"modified":"2012-09-03T21:33:27","modified_gmt":"2012-09-04T00:33:27","slug":"do-sol-nascente-ao-samba","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/entrevistas\/do-sol-nascente-ao-samba\/","title":{"rendered":"Do sol nascente ao samba"},"content":{"rendered":"<p>Jornal La Libre, B\u00e9lgica<br \/>\nBrasil Elei\u00e7\u00e3o Presidencial (2\/5)<\/p>\n<h3>Do sol nascente ao samba<\/h3>\n<p>Rapha\u00ebl Meulders &#8211; 27\/10\/2010<br \/>\n\u201cJapantown\u201d, no cora\u00e7\u00e3o da tentacular S\u00e3o Paulo, abriga a maior comunidade nip\u00f4nica fora do Jap\u00e3o. Reportagem do Enviado especial ao Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pra\u00e7a da Liberdade em S\u00e3o Paulo. Umdomingo de manh\u00e3 de outubro. A chuva \u00e9 pesada, mas \u00e9 preciso bem mais para assustar Hiromi Hirasuke, 67 anos, que veio vender seus bonsais em sua charrete ambulante. \u201cO c\u00e9u vai abrir e vai vir bastante gente hoje\u201d, ele profetisa, visivelmente conhecedor dos caprichos da meteorologia brasileira. A \u201cfeira do Extremo Oriente\u201d \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o na maior megal\u00f3pole sul-americana. Cada semana ela atrai milhares de curiosos \u00e1vidos por exotismo. O visitante n\u00e3o tem como se enganar: com suas lumin\u00e1rias t\u00edpicas, seus restaurantes, suas lojas, sal\u00f5es de massagem e seus camel\u00f4s vendendo DVDs piratas asi\u00e1ticos em todas as esquinas, ele mergulha em plena \u201cJapantown\u201d, a maior comunidade japonesa fora do Jap\u00e3o (1 milh\u00e3o de japoneses ou descendentes de japoneses no Estado de S\u00e3o Paulo e 1 milh\u00e3o e 600 mil em todo o Brasil). Ao redor das bancas de jornais mistura-se alegremente portugu\u00eas e japon\u00eas. Um olho nos resultados dos clubes de futebol locais, um outro nas not\u00edcias, nas duas l\u00ednguas que fornecem quatro jornais da comunidade nip\u00f4nica. A tentacular S\u00e3o Paulo (dois milh\u00f5es de habitantes em 1950 e 18 milh\u00f5es hoje), cidade de imigra\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia, \u00e9 considerada o maior polo multicultural do Brasil. \u201c\u00c9 tamb\u00e9m uma das cidades do mundo onde a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais variada\u201d, observa o jornalista Francisco Noriyuki Sato, um Nissei, um descendente de japon\u00eas da segunda gera\u00e7\u00e3o no Brasil. \u201cAqui voc\u00ea tem tamb\u00e9m as comunidades mais importantes de origem italiana, espanhola e libanesa fora de seus respectivos pa\u00edses\u201d,\u00a0conta Cristiane Sato. \u201cCom todas as dificuldades de readapta\u00e7\u00e3o que isso gera, pois eles n\u00e3o falam mais portugu\u00eas&#8230;\u201d dos jovens pela cultura de seus antepassados. O jornalista tem um olhar cr\u00edtico por seus pa\u00eds \u201cadotivo\u201d. E se S\u00e3o Paulo se mostra confiante, do alto de seu sucesso econ\u00f4mico insolente neste in\u00edcio de s\u00e9culo, ela n\u00e3o se esquece de seu passado. \u201cO Paulista (Nota do Rep\u00f3rter: habitante de S\u00e3o Paulo) se orgulha de suas origens e fala disso, completa Cristiane Sato, esposa de Francisco. O que causa muita rivalidade com os Cariocas, os habitantes do Rio\u201d. Como em todos os domingos, o casal assiste \u00e0s reuni\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o cultural japonesa, verdadeira \u201cthink thank\u201d dos Nikkeis, como eles s\u00e3o chamados em S\u00e3o Paulo. OsChineses, \u201ccada vez mais numerosos no bairro, mas que n\u00e3o se integram\u201d, passando pela festa que ser\u00e1 organizada no m\u00eas que vem em homenagem aos pol\u00edticos nikkeis recentemente eleitos, cerca de dez membros da organiza\u00e7\u00e3o relatados a esta reportagem.\u201cAtores, m\u00fasicos, pol\u00edticos ou empres\u00e1rios, encontramos Nikkeis em todas as classes da sociedade, prossegue Francisco Sato. Os estudos foram sempre muito importantes para os Japoneses. Tanto que a primeira coisa que nossos antepassados constru\u00edam ao chegar aqui eram escolas.\u201d Os Nipo-Brasileiros ocupam frequentemente bons postos na sociedade paulista. \u201cVoc\u00ea nunca encontrar\u00e1 um Nikkei numa favela. Isso \u00e9 um ponto de honra&#8230;\u201d\u00a0 Vindo para S\u00e3o Paulo em 1934, aos tr\u00eas anos de idade, Hirofumi Ikesaki, um Issei da primeira gera\u00e7\u00e3o se lembra da \u201cdureza\u201d do trabalho no campo. Aos quinze anos ele decidiu vir sozinho para a cidade. \u201cEu trabalhei em tudo, como taxista, entregador e tintureiro\u201d. Ent\u00e3o o Sr. Ikesaki fundou sua pr\u00f3pria empresa que hoje virou um imp\u00e9rio. Ikesaki se tornou o maior fornecedor de material para cabeleireiros brasileiros e um dos principais grupos cosm\u00e9ticos do pa\u00eds. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o passar ao lado de sua enorme loja ao lado da Pra\u00e7a da Liberdade. O homem, que tamb\u00e9m se orgulha de ter sido eleito o Empreendedor de S\u00e3o Paulo de 2004, \u00e9 um dos raros Nikkeis a permanecer fiel \u00e0 sua religi\u00e3o de origem, o xinto\u00edsmo. \u201cN\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos escolha\u201d, explica Francisco Sato, \u201cse quis\u00e9ssemos estudar numa escola p\u00fablica, t\u00ednhamos que nos converter ao cristianismo\u201d. Em 2008, acomunidade nikkei festejou em grande pompa, com a not\u00e1vel presen\u00e7a do pr\u00edncipe Naruhito do Jap\u00e3o, o centen\u00e1rio de sua imigra\u00e7\u00e3o ao Brasil. O objetivo das 165 primeiras fam\u00edlias nip\u00f4nicas que chegaram nas costas paulistas em 1908 era bem clara: (re)fazer fortuna nas planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e voltar ao pa\u00eds de origem. \u201cNa \u00e9poca o Jap\u00e3o teve uma explos\u00e3o demogr\u00e1fica muito importante e se enfraqueceu por causa de suas duas guerras contra a R\u00fassia e a China\u201d, explicou o historiador Masato Ninomiya. A propaganda governamental dizia o seguinte: no Brasil existe uma \u00e1rvore de ouro \u2013 a planta do caf\u00e9. Basta colh\u00ea-las\u201d. As duas Guerras Mundiais impediram de vez esses imigrantes de voltar ao pa\u00eds. Mas, fosse por meio de bolsas de estudo ou de est\u00e1gios, as trocas sempre existiram e ainda existem entre o Jap\u00e3o e os Nipo-Brasileiros. \u201cMuitos Nikkeis voltaram ao pa\u00eds nos anos 80, quando o Jap\u00e3o teve uma forte expans\u00e3o econ\u00f4mica,Eles s\u00e3o chamados de Dekasseguis.\u201d Mas, sinal dos tempos e da boa sa\u00fade econ\u00f4mica do Brasil, nestes tr\u00eas \u00faltimos anos aproximadamente 100 000 Dekasseguis retornaram ao Brasil.\u00a0 H\u00e1 muito voltada para si mesma, a comunidade japonesa se abriu totalmente com sua quarta gera\u00e7\u00e3o de descendentes, os \u201cYonseis\u201d. \u201cDe alguns anos para c\u00e1 \u00e9 que temos sido vistos como inteiramente Brasileiros\u201d, prossegue a esposa Sato. Os casamentos mistos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais um problema. Os Nikkeis est\u00e3o com olhos cada vez menos puxados&#8230;\u201d E mesmo se a nova gera\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o fala mais japon\u00eas, o Sr. Sato revela uma \u201crenova\u00e7\u00e3o de interesse\u201d \u201cO Brasil tem agora uma economia de primeiro mundo, mas ainda guarda uma mentalidade de pa\u00eds de Terceiro mundo. Veja os partidos pol\u00edticos, eles s\u00e3o todos populistas. Nunca se teve direito a um verdadeiro debate de fundo esquerda-direita durante estas elei\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma pena\u201d. Os casamentos mistos continuam, por outro lado, sendo um tabu para a comunidade sul-coreana de S\u00e3o Paulo (50 000 pessoas), instalada no antigo bairro judeu do Bom Retiro. Cantarolando o mais novo sucesso da modabrasileira, o computador de Marcos Kin, 27, sente-se, contudo, &#8220;90% Brasileiro\u201d.\u201dJ\u00e1 levei amigas \u201cocidentais\u201d em casa. Masme casar com uma n\u00e3o-Asi\u00e1tica, acho que isso faria esc\u00e2ndalo. Nossa imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 mais recente (NdR: os primeiros Coreanos chegaram em 1963 no Brasil). Ainda vai levar alguns anos para recuperar o atraso em rela\u00e7\u00e3o aos japoneses. \u201cN\u00e3o faz muito tempo, haviam frequentes brigasentre os membros da comunidade coreana e os Nikkeis, prossegue Andr\u00e9 Kwon, gerente de um cybercaf\u00e9. As coisas est\u00e3o mais calmas. Mas haver\u00e1 sempre uma rivalidade com os Nipo-Brasileiros\u201d. Se o Brasil se vangloria de sua abordagem \u00fanica de povos e culturas (existe em brasileiro uma centena de palavras para designar a cor da pele de seus habitantes), as discrimina\u00e7\u00f5es sociais permanecem enormes. Mesmo representando quase a metade da popula\u00e7\u00e3o, os Afro-Brasileiros (negros e mesti\u00e7os) s\u00e3o grandemente subrepresentados na pol\u00edtica (nenhum governador nos 27 Estados, e s\u00f3 um senador entre 81 antes das elei\u00e7\u00f5es de 2010) ou nas m\u00eddias, por exemplo. Mais de 62% dos Afro-Brasileiros vivem na pobreza e uma parte \u00ednfima deles se forma na faculdade. Primeira mulher negra deputada do Brasil, Benedita da Silva afirmou em maio passado \u00e0 revista \u201cLe Point\u201d:&#8221;Todo mundo finge, mas nas \u00e1reas de sucesso n\u00e3o se v\u00ea Preto, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o talvez de Pel\u00e9. Para n\u00f3s Negros, ainda \u00e9 como o Lula antes de sua elei\u00e7\u00e3o:. no Brasil simplesmente n\u00e3o se imaginava que umpobre pudesse ser inteligente\u201d. Para remediar essa situa\u00e7\u00e3o, muitas universidades instauraram desde 2003 um sistema de quotas para favorecer o acesso de estudantes &#8220;negros e mesti\u00e7os&#8221; aos estudos superiores. Um sistema que rapidamente mostrou seus limites. Assim a imprensa brasileira relatou extensamente a hist\u00f3ria de dois irm\u00e3os g\u00eameos Alex e Alan Teixeira da Cunha que, em 2007, entregaram ambos seus dossi\u00eas de entrada para a Universidade p\u00fablica de Bras\u00edlia (UNB). Conforme exigido pelas autoridades da UNB, os dois irm\u00e3os enviaram uma foto de seus rostos, na esperan\u00e7a de se beneficiarem da quota de 20% das vagas reservadas aos negros e mesti\u00e7os. Filhos de um casal \u201cmisto\u201d (o pai \u00e9 negro e a m\u00e3e \u00e9 branca), Alex tem a pele levemente mais clara que Alan. Pelo menos na foto. Resultado: Alan foi aceito. Alex n\u00e3o. \u201cIsso \u00e9 rid\u00edculo. N\u00f3s temos o mesmo sangue e tiramos a foto no mesmo dia\u201d, explicou Alex que, finalmente ganhou seu recurso e entrou nas quotas da universidade. Desde ent\u00e3o a UNB continua a aplicar esse princ\u00edpio, mas mudou o m\u00e9todo. Agora s\u00f3 ap\u00f3s uma entrevista com os candidatos as autoridades decidem integr\u00e1-los nas quotas ou n\u00e3o. Para assegurar uma vaga no estabelecimento, alguns estudantes brancos n\u00e3o hesitaram em escurecer seus rostos via Photoshop&#8230; Vinte universidades brasileiras aplicam atualmente esse tipo de quotas no Brasil, e se os n\u00fameros s\u00e3o encorajadores (55 000 estudantes afro-brasileiros sa\u00edram diplomados desde 2003), o projeto continua fortemente criticado por diferentes pol\u00edticos que o v\u00eaem como mais uma forma de discrimina\u00e7\u00e3o, \u201co estabelecimento oficial\u201d de ra\u00e7as diferentes no Brasil. \u00c9 dif\u00edcil tamb\u00e9m estabelecer um perfil para essas quotas: segundo um estudo da Universidade federal de Minas Gerais, 87% dos \u201cBrancos\u201d no Brasil possuem pelo menos 10% de genes de origem africana&#8230;<br \/>\nMas as mentalidades est\u00e3o, talvez, prestes a evoluir no Brasil, que foi um dos \u00faltimos pa\u00edses a abolir a escravatura. Com 20% dos votos no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, a candidata mesti\u00e7a Marina Silva do partido verde provou em todo caso que o fen\u00f4meno \u201cBarack Obama\u201d n\u00e3o seria sem d\u00favida mais uma exce\u00e7\u00e3o reservada ao \u201cgrande irm\u00e3o\u201d norte-americano nos anos que vir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/?page_id=241\">Vers\u00e3o original, em franc\u00eas<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornal La Libre, B\u00e9lgica Brasil Elei\u00e7\u00e3o Presidencial (2\/5) Do sol nascente ao samba Rapha\u00ebl Meulders &#8211; 27\/10\/2010 \u201cJapantown\u201d, no cora\u00e7\u00e3o da tentacular S\u00e3o Paulo, abriga a maior comunidade nip\u00f4nica fora do Jap\u00e3o. Reportagem do Enviado especial ao Brasil Pra\u00e7a da Liberdade em S\u00e3o Paulo. Umdomingo de manh\u00e3 de outubro. 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