
{"id":245,"date":"2012-08-31T18:05:47","date_gmt":"2012-08-31T21:05:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/imigracaojaponesa2012\/?page_id=245"},"modified":"2012-08-31T18:06:10","modified_gmt":"2012-08-31T21:06:10","slug":"francisco-noriyuki-sato","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/entrevistas\/francisco-noriyuki-sato\/","title":{"rendered":"Francisco Noriyuki Sato"},"content":{"rendered":"<h2>BANZAI! HIST\u00d3RIA DA IMIGRA\u00c7\u00c3O JAPONESA NO BRASIL EM MANG\u00c1<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrevista concedida por Francisco Noriyuki Sato, autor de Banzai! Hist\u00f3ria da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil, ao jornalista Ricardo Cruz em 8\/10\/2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Como surgiu a id\u00e9ia de contar a hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa ao Brasil em forma de quadrinhos?<\/em><\/strong><br \/>\nEm 1995, no Centen\u00e1rio do Tratado de Amizade Brasil-Jap\u00e3o, lan\u00e7amos um livro sobre a Hist\u00f3ria do Jap\u00e3o,em mang\u00e1. O formato agradou bastante, e j\u00e1 naquele ano, a mesma entidade que encabe\u00e7ou aquele projeto, a Associa\u00e7\u00e3o Cultural e Esportiva Sa\u00fade, decidiu preparar um livro sobre a imigra\u00e7\u00e3o para lan\u00e7ar em 2008. Os dois livros, basicamente, visam ensinar a hist\u00f3ria de uma forma mais agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Originalmente os japoneses vieram para o Brasil para trabalhar durante um tempo e regressar. Como sabemos, n\u00e3o foi isso o que aconteceu. Quando foi que muitos deles se conformaram em n\u00e3o voltar mais e come\u00e7aram a trazer para o Brasil um pouco da cultura da sua terra natal?<\/em><\/strong><br \/>\nEspecialmente os imigrantes que vieram no Kasato-Maru, que trouxe oficialmente a primeira leva de japoneses, tinham id\u00e9ia de ficar pouco tempo no Brasil e retornar. Havia muita desinforma\u00e7\u00e3o e ilus\u00e3o em enriquecimento r\u00e1pido. Os imigrantes que vieram depois estavam mais conscientes, e por isso, trouxeram materiais esportivos e instrumentos musicais na bagagem, para que seus filhos pudessem manter a cultura japonesa, mesmo residindo no outro lado do mundo. O meu av\u00f4 \u00e9 um exemplo disso. Chegou com a sua fam\u00edlia em 1934, mas j\u00e1 veio com um lote de terra adquirido aqui, e suas filhas mais velhas foram estudar em escolas brasileiras e japonesas. Pensava em retornar, mas n\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pido. A maioria percebeu que n\u00e3o poderia mais voltar quando terminou a Segunda Guerra Mundial e o Jap\u00e3o foi derrotado. Nessa \u00e9poca, j\u00e1 praticavam as tradi\u00e7\u00f5es culturais japonesas aqui. O que mudou foi a mentalidade: agora os seus filhos tinham que estudar no Brasil, j\u00e1 que poderiam morar aqui para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>E qual foi o impacto que essa cultura causou nos brasileiros?<\/em><\/strong><br \/>\nEm termos econ\u00f4micos, a grande contribui\u00e7\u00e3o foi na agricultura. Os japoneses introduziram novas variedades de plantas, desenvolveram outras e mostraram que, com dedica\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o poderia aumentar bastante. Muitas verduras que temos hoje nos supermercados n\u00e3o existiam no Brasil h\u00e1 cem anos. V\u00e1rias cidades foram fundadas pelos imigrantes japoneses, como Bastos e Assai. Na parte esportiva, os japoneses introduziram o jud\u00f4, o carat\u00ea e o aikid\u00f4, s\u00f3 para citar alguns. Mais recentemente, a cultura pop \u00e9 bastante influenciada pela cultura japonesa, mas essa contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser creditada aos imigrantes, pois \u00e9 um fen\u00f4meno internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Existiu muito preconceito em rela\u00e7\u00e3o aos japoneses e o mundo pr\u00f3prio que foram criando?<\/em><\/strong><br \/>\nDe uma forma geral, os brasileiros sempre aceitaram bem os estrangeiros, porque esse \u00e9 um Pa\u00eds formado por imigrantes. Se houve preconceito foi na \u00e9poca da guerra. As leis brasileiras passaram a tratar de forma diferenciada os japoneses, os italianos e os alem\u00e3es, pelo rompimento da amizade entre as na\u00e7\u00f5es. As escolas que ensinavam esses idiomas foram fechadas. Os japoneses n\u00e3o podiam se reunir e nem falar seu idioma. Numa \u00e9poca nem podiam viajar sem pegar uma autoriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para isso. Sendo assim tratados como cidad\u00e3os de segunda categoria, era natural que pessoas mais simples passassem a zomb\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Na sua opini\u00e3o, a que se deve o crescente interesse de brasileiros sem nenhuma ascend\u00eancia oriental pela cultura japonesa? Imagino que hoje em dia seja comum encontrar muitos &#8220;gaijins&#8221; em eventos voltados para a col\u00f4nia, n\u00e3o?<\/em><\/strong><br \/>\nEu acho que \u00e9 um fen\u00f4meno mundial. Voc\u00ea tem no mundo a cultura americana que, por v\u00e1rios motivos, \u00e9 combatida por muitos setores. Voc\u00ea tem a brit\u00e2nica, a francesa, a italiana, a alem\u00e3&#8230; Mas todos eles s\u00e3o parecidos com a americana, porque se baseiam no cristianismo. Os valores s\u00e3o parecidos. Dentre os pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo, o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o \u00e9 o Jap\u00e3o. Da\u00ed, as pessoas est\u00e3o descobrindo novas formas de ver o mundo atrav\u00e9s do Jap\u00e3o, porque \u00e9 um ponto de vista completamente diferente. \u00c9 a mistura de xinto\u00edsmo com budismo. Se formos falar de grandes povos, temos o \u00e1rabe e o judeu. Ambos s\u00e3o monote\u00edstas, ou seja, admitem um Deus \u00fanico, assim como o cristianismo. O xinto\u00edsmo, no Jap\u00e3o, diz que existem 8 milh\u00f5es de deuses&#8230; O conceito \u00e9 outro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Durante tantos anos atuando na col\u00f4nia japonesa, voc\u00ea deve ter acompanhado uma boa parte da forma\u00e7\u00e3o dessa identidade cultural que hoje identificamos como pr\u00f3pria dos japoneses e seus descendentes. Voc\u00ea acha que essa identidade ser\u00e1 preservada ou tende a se &#8220;abrasileirar&#8221; com o tempo?<\/em><\/strong><br \/>\nQuando a comunidade comemorou seu 80\u00ba anivers\u00e1rio, j\u00e1 se falava que, provavelmente, n\u00e3o haveria interessados em encabe\u00e7ar o 90\u00ba anivers\u00e1rio. Entretanto, isso aconteceu, e agora sabemos que o 100\u00ba anivers\u00e1rio ser\u00e1 comemorado em grande estilo no ano que vem. O que eu verifico \u00e9 que os descendentes mais jovens, quando em contato com as tradi\u00e7\u00f5es, se interessam bastante, e v\u00e3o tentar mant\u00ea-las. Num mundo globalizado, diferente do que foi previsto, ter uma identidade cultural diferenciada tornou-se importante. Eu acho que os jovens t\u00eam mais interesse na cultura japonesa do que os seus pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Antigamente, o bairro da liberdade, por exemplo, era recheado de locadoras de v\u00eddeo japonesas, livrarias que traziam revistas todos os meses e tinham muitos assinantes e, olhando mais l\u00e1 atr\u00e1s ainda, cinemas que exibiam filmes japoneses. Aos poucos, isso foi acabando. Ainda h\u00e1 livrarias e algumas locadoras, mas a situa\u00e7\u00e3o delas hoje est\u00e1 longe da prosperidade de alguns anos. Na sua opini\u00e3o, como isso aconteceu?<\/em><\/strong><br \/>\n\u00c9 o progresso. Aquelas fam\u00edlias que alugavam v\u00eddeos do Jap\u00e3o agora assinam a TV NHK a cabo. Como menos pessoas dominam o idioma japon\u00eas, a importa\u00e7\u00e3o de livros e revistas diminuiu bastante. Quanto aos cinemas, quase todas as salas que n\u00e3o est\u00e3o em shoppings est\u00e3o desaparecendo, e n\u00e3o s\u00f3 as japonesas. \u00c9 claro que, quando voc\u00ea tem um filme estrangeiro, que s\u00f3 \u00e9 exibido numa \u00fanica sala, fica dif\u00edcil cobrir os custos de importa\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o e legendagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Para voc\u00ea, quais foram as maiores contribui\u00e7\u00f5es culturais dos japoneses? Hoje em dia, sair para comer sushi, por exemplo, \u00e9 um h\u00e1bito comum de muitas pessoas.<\/em><\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil determinar qual foi a maior contribui\u00e7\u00e3o cultural dos japoneses, mas pensando no sentido mais amplo, eu acho que devem ser os valores culturais, como a disciplina, o pensar no pr\u00f3ximo e a honestidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>No livro, voc\u00ea trabalhou em parceria com o desenhista Julio Shimamoto, outro descendente que atua e conhece bastante a cultura japonesa. De que forma se deu essa parceria?<\/em><\/strong><br \/>\nCheguei a fazer um \u00e1lbum hist\u00f3rico com o Cl\u00e1udio Seto, e o livro da Hist\u00f3ria do Jap\u00e3o foi feito em parceria com o Roberto Kussumoto e o Antonio Paulo Goulart. Nesse livro sobre a imigra\u00e7\u00e3o eu queria especificamente trabalhar com o Shima, isso desde que nasceu a id\u00e9ia. O Shima sabe exatamente como foi a vida do imigrante japon\u00eas, morou em v\u00e1rias comunidades, e tinha muito a contribuir com esse trabalho. Desde o in\u00edcio eu estava convencido de que n\u00e3o poderia ser no estilo de mang\u00e1 tradicional, com olhos grandes, porque n\u00e3o tinha que ser caricatural e sim real. Eu n\u00e3o imaginava outra pessoa no seu lugar. Mas confesso que foi muito dif\u00edcil convenc\u00ea-lo a abrir um espa\u00e7o em sua agenda. Tive que falar v\u00e1rias vezes com ele, e no final, acho que contou mesmo foi uma frase que falei: \u201cvoc\u00ea precisa fazer esse sacrif\u00edcio para deixar uma hist\u00f3ria honesta para os futuros descendentes. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o sua como filho de imigrantes\u201d. O trabalho contou com o aux\u00edlio de outro nissei, o veterano Paulo Fukue no roteiro, e do carioca Adauto Silva, no letreiramento e acabamento.<\/p>\n<p>Permitida a reprodu\u00e7\u00e3o total ou parcial desta entrevista mas \u00e9 obrigat\u00f3ria a cita\u00e7\u00e3o da fonte: Ricardo Cruz\/Francisco Noriyuki Sato &#8211; www.imigracaojaponesa.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BANZAI! HIST\u00d3RIA DA IMIGRA\u00c7\u00c3O JAPONESA NO BRASIL EM MANG\u00c1 Entrevista concedida por Francisco Noriyuki Sato, autor de Banzai! Hist\u00f3ria da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil, ao jornalista Ricardo Cruz em 8\/10\/2007. Como surgiu a id\u00e9ia de contar a hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o japonesa ao Brasil em forma de quadrinhos? 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