
{"id":68,"date":"2012-06-14T15:37:57","date_gmt":"2012-06-14T18:37:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/imigracaojaponesa2012\/?page_id=68"},"modified":"2012-09-04T01:03:34","modified_gmt":"2012-09-04T04:03:34","slug":"historia-da-imigracao-parte-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/nossa-historia\/historia-da-imigracao-parte-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da imigra\u00e7\u00e3o &#8211; parte 2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-157\" title=\"histo imigra2\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra2.jpg\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra2.jpg 588w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra2-300x153.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra2-150x76.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><\/a>As 781 pessoas do grupo pioneiro que chegou ao Brasil em 1908 no <em>Kasato Maru <\/em>foram alocadas em 6 fazendas de caf\u00e9 no interior de S\u00e3o Paulo. De imediato todas as expectativas positivas dos imigrantes, e at\u00e9 mesmo dos representantes das empresas que intermediavam a vinda de imigrantes, foram desmanteladas pela realidade das coisas no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As &#8220;moradias&#8221; que os fazendeiros ofereceram aos imigrantes nada mais eram que as antigas senzalas de barro ou madeira constru\u00eddas para os escravos negros, que haviam sido abandonadas e estavam h\u00e1 anos sem limpeza ou manuten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia piso, m\u00f3veis, ou paredes divis\u00f3rias. N\u00e3o havia \u00e1gua ou instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Quem quisesse ter ilumina\u00e7\u00e3o em casa \u00e0 noite tinha que comprar velas no armaz\u00e9m da fazenda, bem como quem quisesse ter algo para comer &#8211; o que se limitava a arroz de sequeiro, feij\u00e3o, milho, carne ou bacalhau seco, \u00edtens que os japoneses n\u00e3o gostavam e mal sabiam como preparar. Os brasileiros n\u00e3o cultivavam verduras ou soja, e os japoneses passaram a improvisar conservas com plantas encontradas no mato, como o pic\u00e3o e o caruru. Tais condi\u00e7\u00f5es de vida subumanas causaram em poucos meses subnutri\u00e7\u00e3o generalizada, doen\u00e7as e mortes entre os imigrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dificuldades de entendimento entre os imigrantes e fazendeiros devido \u00e0 total diferen\u00e7a de cultura, idioma, usos e costumes geravam constantes atritos. &#8220;Capit\u00e3es-do-mato&#8221; e &#8220;capangas&#8221; armados para levar os imigrantes aos cafezais e fiscalizar seu trabalho passavam aos japoneses a sensa\u00e7\u00e3o de que seus contratadores n\u00e3o lhes tinham confian\u00e7a e queriam mant\u00ea-los prisioneiros como m\u00e3o-de-obra escrava. Obrigados a comprar comida e itens de primeira necessidade apenas no armaz\u00e9m da fazenda, os imigrantes logo perceberam que ao inv\u00e9s de receber um sal\u00e1rio no fim do m\u00eas passaram a ter d\u00edvidas com os fazendeiros, dado os pre\u00e7os exorbitantes cobrados no armaz\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pior mesmo era a remunera\u00e7\u00e3o dos imigrantes, que de acordo com as propagandas das empresas de imigra\u00e7\u00e3o era calculada sobre uma m\u00e9dia superestimada de 9 sacos de 50 quilos de caf\u00e9 colhido por dia por fam\u00edlia, que no c\u00e2mbio da \u00e9poca equivaleria a 5 ienes e 50 sens por dia (em dois dias de trabalho no Brasil os imigrantes esperavam ganhar o sal\u00e1rio mensal de um policial no Jap\u00e3o). Entretanto, ao chegar nas fazendas os japoneses foram colocados para trabalhar com cafeeiros velhos, de baixa produtividade, que resultavam numa colheita escassa, que mal chegava a 2 sacos colhidos por dia por fam\u00edlia. Do dia para a noite passando a ser explorados como m\u00e3o-de-obra escrava, empurrados para a mis\u00e9ria e correndo risco de vida pela situa\u00e7\u00e3o de abandono, os imigrantes n\u00e3o tiveram outra alternativa sen\u00e3o fugir das fazendas e buscar outras profiss\u00f5es. At\u00e9 o fim de 1908 apenas 359 das 781 pessoas que chegaram em junho daquele ano no <em>Kasato Maru <\/em>ainda se encontravam nas fazendas contratantes. Na Fazenda Dumont, que recebeu o maior grupo de imigrantes japoneses (210 pessoas), ningu\u00e9m ficou.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">MOBILIDADE PROFISSIONAL E O IN\u00cdCIO DAS COL\u00d4NIAS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Histo-Imigra1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-161\" title=\"Histo Imigra1\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Histo-Imigra1.jpg\" alt=\"\" width=\"843\" height=\"557\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Histo-Imigra1.jpg 843w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Histo-Imigra1-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Histo-Imigra1-150x99.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><\/a>Ao contr\u00e1rio do que hoje se imagina, grande parte dos imigrantes pioneiros n\u00e3o tinha sido agricultor no Jap\u00e3o. Alguns dos imigrantes japoneses tinham estudo; muitos j\u00e1 haviam morado em cidades e trabalhado como comerciantes, carpinteiros e ferreiros, e ao fugir das fazendas voltaram a exercer a profiss\u00e3o que tinham no Jap\u00e3o como trabalhadores independentes. Outros passaram a empregar-se na constru\u00e7\u00e3o civil, ou tornaram-se empregados dom\u00e9sticos, ou ainda estivadores nas docas. Na d\u00e9cada de 1910 instalou-se em Santos um pequeno grupo de profissionais aut\u00f4nomos e pequenos comerciantes imigrantes, e na d\u00e9cada de 1920 japoneses passaram a morar e abrir neg\u00f3cios na Rua Conde de Sarzedas, na regi\u00e3o central da S\u00e9 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fracasso da aloca\u00e7\u00e3o de imigrantes como m\u00e3o-de-obra assalariada em fazendas de caf\u00e9 levou a uma altera\u00e7\u00e3o na forma pela qual se deu continuidade ao processo imigrat\u00f3rio. Aproveitando a onda de expans\u00e3o desenvolvimentista para o interior que ent\u00e3o ocorria no Brasil, a partir de 1910 as empresas de emigra\u00e7\u00e3o japonesas passaram a comprar grandes \u00e1reas de mata virgem para instalar as <em>shokuminchi<\/em> (col\u00f4nias ou n\u00facleos coloniais). Por este sistema de col\u00f4nias os imigrantes passaram a vir para o Brasil como adquirentes a prazo de lotes de terra pertencentes \u00e0s empresas de emigra\u00e7\u00e3o, desbravando \u00e1reas distantes e mata virgem sem ajuda governamental para se tornarem pequenos produtores agr\u00edcolas. Ao inv\u00e9s de empregados em regime de semi-escravid\u00e3o em cafezais, os imigrantes passaram a vir como pequenos agricultores independentes produtores de arroz e algod\u00e3o (na \u00e9poca produto-base da ind\u00fastria t\u00eaxtil mundial, t\u00e3o valorizado quanto o caf\u00e9). A primeira col\u00f4nia foi a Col\u00f4nia Mon\u00e7\u00e3o, fundada em 1911 na regi\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o Cerqueira C\u00e9sar da linha f\u00e9rrea Sorocabana, interior de S\u00e3o Paulo, mas logo surgiram v\u00e1rias outras <em>shokuminchi<\/em>. Este sistema deu origem a v\u00e1rias cidades no Brasil, como os munic\u00edpios paulistas de Alian\u00e7a, Bastos, Iguape, Registro, Suzano, e as cidades de Assa\u00ed no Paran\u00e1 e de Tom\u00e9-A\u00e7\u00fa no Par\u00e1, que come\u00e7aram como col\u00f4nias de pequenos produtores rurais japoneses. Os produtos cultivados nas col\u00f4nias passaram a variar da pimenta-do-reino em Tom\u00e9-A\u00e7\u00fa, ao ch\u00e1 em Registro, e \u00e0 atividade granjeira em Bastos.<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"2\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-Bastos-KunitoMiyasaka.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-162\" style=\"border: 0px none; margin: 0px;\" title=\"histo imigra Bastos KunitoMiyasaka\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-Bastos-KunitoMiyasaka.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-Bastos-KunitoMiyasaka.jpg 432w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-Bastos-KunitoMiyasaka-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-Bastos-KunitoMiyasaka-150x112.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><\/a><\/td>\n<td><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-inaug_ponteNOriente.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-163\" style=\"border: 0px none; margin: 0px;\" title=\"histo imigra inaug_ponteNOriente\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-inaug_ponteNOriente.jpg\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-inaug_ponteNOriente-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-inaug_ponteNOriente-150x112.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><\/a><\/td>\n<td><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-164\" style=\"border: 0px none; margin: 0px;\" title=\"histo imigra3\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra3.jpg\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"214\" \/><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0<small><small>Bastos &#8211; Pra\u00e7a Kunito Miyasaka<\/small><\/small><\/td>\n<td>\u00a0<small><small>Inaugura\u00e7\u00e3o da Ponte Novo Oriente<\/small><\/small><\/td>\n<td>\u00a0<small><small>K.K.K.K. em Registro\/SP<\/small><\/small><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta \u00e9poca de imigrantes pioneiros desbravadores destacam-se as iniciativas de Unpei Hirano e Shuhei Uetsuka. Hirano foi tradutor dos imigrantes do <em>Kasato Maru<\/em> e intermediou queixas dos imigrantes com os cafeicultores contratantes. Hirano foi um dos que primeiro percebeu que os imigrantes teriam melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e chances de sucesso se n\u00e3o tivessem que se sujeitar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pelos contratos de trabalho rural assalariado. Em 1915 fundou a Col\u00f4nia Hirano na regi\u00e3o de Cafel\u00e2ndia, interior paulista, vindo a falecer prematuramente de mal\u00e1ria, aos 34 anos em 1919. Apesar dos esfor\u00e7os dos colonos, a Col\u00f4nia Hirano foi um cap\u00edtulo tr\u00e1gico da hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias de japoneses no Brasil &#8211; uma invas\u00e3o de gafanhotos, seguida por uma grande seca, destruiu as lavouras, e os colonos foram dizimados por uma grave epidemia de mal\u00e1ria. Uetsuka veio como representante da empresa de emigra\u00e7\u00e3o japonesa junto com os pioneiros do <em>Kasato Maru<\/em> e em 1918 fundou a Col\u00f4nia Uetsuka perto da esta\u00e7\u00e3o Promiss\u00e3o da linha f\u00e9rrea Noroeste. Idealista, Uetsuka viveu com os imigrantes colonos, enfrentando as mesmas dificuldades que os demais e tornou-se admirado l\u00edder da comunidade, que prosperou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os imigrantes nas col\u00f4nias rapidamente organizaram a vida civil e comunit\u00e1ria nos moldes da distante terra natal. A primeira coisa que fazem ao constituir uma col\u00f4nia \u00e9 organizar uma <em>ky\u00f5kai<\/em> (&#8220;associa\u00e7\u00e3o&#8221;, entidade para tratar de assuntos comunit\u00e1rios) e construir um <em>kaikan<\/em> (&#8220;audit\u00f3rio&#8221;, sal\u00e3o ou galp\u00e3o que funciona como sede da comunidade). A segunda provid\u00eancia era cuidar da educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Tamanha era a preocupa\u00e7\u00e3o dos imigrantes com a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, que ao chegarem a uma fazenda ou col\u00f4nia imediatamente encarregavam algu\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es de dar aulas simples de linguagem e matem\u00e1tica \u00e0s crian\u00e7as e organizavam-se turmas e hor\u00e1rios surgindo assim as <em>nihongakk\u00f5<\/em>s, escolas rurais de ensino elementar em japon\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo a inten\u00e7\u00e3o de retornar ao Jap\u00e3o assim que conseguissem economias suficientes, os imigrantes das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX queriam que seus filhos fossem educados como <em>dainipponjin<\/em>s (s\u00faditos japoneses). Ensinar-lhes a l\u00edngua nip\u00f4nica e ministrar-lhes ensinamentos sobre a cultura japonesa e o <em>yamato damashii<\/em> (esp\u00edrito japon\u00eas) era prioridade tal que os pais n\u00e3o hesitavam sacrificar horas de sono e trabalhar mais para que seus filhos, que tamb\u00e9m trabalhavam na lavoura e nos afazeres dom\u00e9sticos, estudassem &#8220;para que quando regressassem ao Jap\u00e3o n\u00e3o passassem vexame&#8221;. A primeira escola japonesa urbana foi a Escola Prim\u00e1ria Taisho, fundada em 1915 em S\u00e3o Paulo, mas havia quem pensasse em fixar-se no Brasil em definitivo. Em 1918 as irm\u00e3s Teruko e Akiko Kumabe se graduaram em magist\u00e9rio no Rio de Janeiro, tornando-se as primeiras japonesas a obter diplomas de professoras prim\u00e1rias no Brasil. Em 1919 as irm\u00e3s Kumabe tamb\u00e9m se tornaram as primeiras imigrantes naturalizadas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-novaniponia_mt.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-180\" title=\"histo imigra novaniponia_mt\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-novaniponia_mt.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-novaniponia_mt.jpg 400w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-novaniponia_mt-300x243.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-novaniponia_mt-150x121.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O sistema das col\u00f4nias tamb\u00e9m propiciou a cria\u00e7\u00e3o de uma imprensa em japon\u00eas para a comunidade no Brasil: os chamados &#8220;jornais da col\u00f4nia&#8221;. O primeiro desses jornais foi o <em>Nanbei<\/em> (Am\u00e9rica do Sul), lan\u00e7ado em janeiro de 1916. Em agosto do mesmo ano surgiu o <em>Nippak Shimbun<\/em> (Jornal Nipo-brasileiro), e em 1917 foi lan\u00e7ado o <em>Burajiru Jih\u00f4<\/em> (Not\u00edcias do Brasil), que tinha a caracter\u00edstica de ser o informativo oficial da <em>Ij\u00fb Kumiai <\/em>(&#8220;cooperativa de emigra\u00e7\u00e3o&#8221;, nome pelo qual era conhecida a empresa que trazia os colonos japoneses ao Brasil). A exist\u00eancia desses jornais indicava n\u00e3o s\u00f3 que o n\u00famero de imigrantes havia aumentado (at\u00e9 1917 estima-se que 18.800 japoneses entraram no Brasil formalmente como imigrantes), como tamb\u00e9m que a comunidade estava progredindo financeiramente, pois havia se criado uma base econ\u00f4mica capaz de sustentar as edi\u00e7\u00f5es. E sob o aspecto cultural revela que os imigrantes em geral eram letrados em japon\u00eas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O SURGIMENTO DAS COOPERATIVAS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito empreendedor torna-se uma caracter\u00edstica dos imigrantes pioneiros. Um exemplo disto foi personificado por Takehiro Mamizuka, que chegou em 1910 no segundo navio de imigrantes. Em 1912 ele foi ao Mercado Municipal em S\u00e3o Paulo para conhecer os pre\u00e7os dos legumes e das verduras. Percebendo que a cidade estava em r\u00e1pida expans\u00e3o e que a demanda por alimentos s\u00f3 aumentaria, ele adquiriu uma pequena propriedade em Taipas, na regi\u00e3o norte da cidade, e passou a produzir batatas para vend\u00ea-las no centro. Mamizuka \u00e9 considerado o pioneiro da agricultura de sub\u00farbio, sem a qual os paulistanos de hoje n\u00e3o teriam acesso \u00e0 indispens\u00e1vel saladinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado Mamizuka ilustra o tipo louv\u00e1vel de iniciativa individual do imigrante, os japoneses tamb\u00e9m implantaram no Brasil importantes iniciativas de grupo. N\u00e3o h\u00e1 um meio de se precisar quando e como surgiu a id\u00e9ia de se organizar uma cooperativa de produtores agr\u00edcolas entre os imigrantes japoneses, mas \u00e9 fato que a express\u00e3o &#8220;cooperativa agr\u00edcola&#8221; aparece pela primeira vez na edi\u00e7\u00e3o de 5 de setembro de 1919 do jornal <em>Burajiru Jih\u00f4<\/em>, num artigo que conclamava imigrantes a participar do &#8220;Syndicato Agr\u00edcola Nipo-Brasileiro&#8221; em Uberaba, Minas Gerais. Considerado a primeira cooperativa organizada por imigrantes japoneses, o &#8220;Syndicato Agr\u00edcola&#8221; visava &#8220;apoiar lavradores na pesquisa de terras adequadas \u00e0s determinadas culturas, elabora\u00e7\u00e3o de contratos, financiamento de capital, compra e venda coletivas, etc., todas as facilidades, com a finalidade de conseguir um desenvolvimento seguro de nossos compatriotas&#8221;. Embora o pioneiro &#8220;Syndicato Agr\u00edcola&#8221; n\u00e3o tenha durado muito tempo, sua exist\u00eancia inspirou outras iniciativas similares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-banana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-181\" title=\"histo imigra banana\" src=\"http:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-banana.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-banana.jpg 585w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-banana-300x205.jpg 300w, https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/histo-imigra-banana-150x102.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a>A mais importante das cooperativas agr\u00edcolas de produtores imigrantes japoneses foi a CAC &#8211; Cooperativa Agr\u00edcola de Cotia. Oficialmente fundada em 1927 ela come\u00e7ou com a uni\u00e3o de 83 agricultores &#8211; a maioria produtores de batata da regi\u00e3o de Cotia &#8211; mas h\u00e1 registros de que ela j\u00e1 existia na pr\u00e1tica, mas inoficiosamente desde 1924. Agregando de modo organizado a comunidade de agricultores e procurando solu\u00e7\u00f5es eficazes para os problemas enfrentados na lavoura visando melhor produtividade, a Cooperativa Agr\u00edcola de Cotia cresceu a ponto de se tornar a maior entidade do g\u00eanero na Am\u00e9rica do Sul &#8211; dados de 1988 indicam que a CAC possu\u00eda na \u00e9poca 16.309 associados e um patrim\u00f4nio avaliado em mais de 59 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As 781 pessoas do grupo pioneiro que chegou ao Brasil em 1908 no Kasato Maru foram alocadas em 6 fazendas de caf\u00e9 no interior de S\u00e3o Paulo. De imediato todas as expectativas positivas dos imigrantes, e at\u00e9 mesmo dos representantes das empresas que intermediavam a vinda de imigrantes, foram desmanteladas pela realidade das coisas no <a href='https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/nossa-historia\/historia-da-imigracao-parte-2\/' class='excerpt-more'>[&#8230;]<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":42,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/68"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/68\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":156,"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/68\/revisions\/156"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/42"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.imigracaojaponesa.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}